Soundbar JBL 9.1 True Wireless Surround – o contexto e as primeiras impressões
O contexto
Coloco aqui minhas primeiras impressões sobre essa barra que entrou no meu set up para substituir o sistema 5.1 clássico de receiver+caixas (sendo minhas surround instaladas no teto, no forro de gesso).
Repito o que já postei antes: meu caso específico foi o de buscar uma simplificação do sistema de audio, pois ultimamente estou querendo privilegiar a conveniência, comodidade, simplicidade, estética e por aí vai. Também não preciso mais de toda a potência do meu atual sistema, por morar em apartamento, não ser mais solteiro e ter filhos, e também por não ter uma sala dedicada pra o HT. Meu sistema está em minha sala de estar.
Não obstante essas premissas, um outro fator fundamental é que eu introduzi um projetor na minha sala, porém a tela de projeção não ficará na frente da TV e sim a 90 graus da TV, ou seja, haverá uma posição 1 para se assistir TV (sofá) e uma posição 2 para se “assistir o projetor” (poltronas afastadas 1 metro para trás).
Mais ou menos isso:
Nesse sentido, pensando no áudio, seriam necessários 2 sistemas. Mas com uma soundbar wireless eu conseguiria resolver as duas situações, daí comprei.
Ela é perfeita para que eu a mude de posição quando for assistir pelo projetor, colocando-a em cima do banco e com cabos extras (inclusive de força) que já ficam em posição de espera na posição 2. Então desconecta aqui e conecta ali, só. O sub fica na mesma posição para a TV e para o projetor, mas até poderia ser mudado por ser wireless (vc só conecta numa tomada, mas a conexão de áudio com a barra é sem fio), e de quebra a mamata das surround totalmente wireless – sem tomada (pois elas têm baterias internas) e sem fio que a interliga a barra. Essa flexibilidade é uma das grandes vantagens dessa barra, pois tendo caixas surround totalmente wireless, vc pode alocá-las livremente da melhor forma possível. Lembrando que muitas barras que têm caixas surround, vendem que essas surround são wireless, porém na verdade são caixas interligadas por fio a um receptor wireless e este receptor, sim, se comunica sem fio com a barra. É uma boa solução, porém não tão boa quanto o sistema “true wireless”.
Dito isso, é importante então concluir-se que no meu caso específico, existiram outros tantos fatores que levaram a fazer a substituição de uma coisa pelo sistema soundbar.
Algumas características
A “calibração” automática do sistema consiste apenas em:
1) vc conectar o sub na tomada e apertar um botão no controle remoto para emparelhar sub com barra. Um led no painel traseiro do sub indica que o emparelhamento foi realizado.
2) posicionar as caixas traseiras imediatamente ao seu lado – ao lado de suas pernas com vc sentado no sweetspot - e apertar um botão no controle remoto. A barra emite um sinal para as surround que o reproduz. No painel da barra vc visualiza uma contagem regressiva (5 até 1) e depois a indicação que esta etapa foi realizada com sucesso (“DONE”)
3) na sequência vc posiciona as caixas traseiras onde vc irá deixá-las quando destacá-las (que não será ao lado de suas pernas, provavelmente será no braço do sofá, ou sobre pedestais, ou fixada na parede, ou sobre mesinhas laterais, etc. daí vc novamente aperta um botão no controle e o mesmo processo se repete (sinal, contagem regressiva e DONE).
Só isso. Fácil, rapidíssimo.
Para a audição vc está livre para regular manualmente o volume do sub (vai de 1 a 5), regular o volume das surround (low, medium, high ou desligadas) e regular o volume dos falantes apontados para cima (2 ficam na barra e 2 ficam nas surrounds), este último eles chamam de volume atmos. Esses volumes vc muda através dos 3 botões de volume localizados no controle remoto. Claro, o volume geral do áudio vc regula através do botão geral de volume + e -. Portanto vc tem a flexibilidade de ajustar a relação de volumes entre os canais, o que é bacana.
Esses volumes vc pode ajustar em cima de 3 presets de áudio que ela tem:
-
Smart Mode ON: seria o preset mais “nervoso” onde vc percebe o sub um pouco mais agressivo e os canais com pitadas de reverb.
-
Smart Mode OFF: que alguns chamam de Standard Mode (mas que é o Smart Mode desligado mesmo. Aqui vc tem menos reverb e o sub mais contido.
-
Night Mode ON: nesse modo o sub fica bem baixo, ou seja, as frequências baixas são quase que direcionadas totalmente para os falantes da barra e não pro sub e praticamente o áudio fica sem reverb. É de fato o que eu uso tarde da noite, e por incrível que pareça sai um gravezinho legal dos falantes (bem superior ao som de uma TV). Também por incrível que pareça o manual não fala nada sobre a existência de um Night Mode.
Independentemente do modo de áudio que está antes de vc desligar a barra, o Smart Mode é sempre o que é carregado (iniciado) quando vc liga a barra. Nada de mais, pois para acionar um outro modo basta apertar botões no controle.
Para fazer a conexão da barra com a internet, vc pode utilizar o aplicativo Google Home que reconhece a barra e, uma vez que ela está em sua rede, ela faz o update do firmware automaticamente. É bom fazer pois já houve atualização para correção de alguns bugs.
Minhas impressões
Vou começar de trás para frente. Eu tô muito satisfeito com a barra.?
Primeiras impressões do sub
Há 20 anos eu tenho um sub com falante para frente e apontado para mim, além de ser um belo sub apesar da idade. O sub dessa barra é apontado para baixo. Assim, nas primeiras audições eu dei uma estranhada. Lendo as postagens de fóruns gringos há muitos relatos de que o sub dessa barra é animal! Mas também li relatos de pessoas que sentiram o mesmo que eu (estranharam), achando inclusive que o sub estivesse com algum defeito. Tento explicar: o sub dessa barra é feito para se integrar perfeitamente aos demais canais, e isso ocorre de fato, sendo uma das qualidades reconhecidas dessa barra. As frequências baixas dele se casam e se complementam de forma muito harmoniosa com as medias e agudas dos outros canais. A regulagem de volume dele de 1 a 5 não significa que o 1 é super baixo e o 5 é super alto…a diferença entre 1 e 5 é curta. Para o sub “falar” mesmo é com o volume geral do áudio que vc vai conseguir torná-lo o animal relatado. Mas daí vem tudo junto e eventualmente o canal central ficará incomodo. Eu estava acostumado com um volume geral médio e médio pra baixo e um sub (para este volume) mais apimentado. Aqui na barra vc meio que não consegue isso, mesmo colocando o volume do sub no 5, o valor máximo. Teria que subir mais o volume geral para chegar na pimenta do sub, mas daí vem junto o volume dos demais canais, principalmente os canais frontais. Além disso, o sub não é tão “musical”, ele parece querer proporcionar mais vibração do que a apresentação de frequências graves precisas. É um grave mais difuso, digamos assim. Atendem muito bem o áudio de filmes. Então, se vc estiver ouvindo um show, por exemplo, em 5.1, o bumbo da bateria não será tão preciso neste sub, se comparado com o Velodyne, onde vc sente o bumbo no pé e preciso. Vou ter que passar por uma fase de desintoxicação do sub antigo, pois o sub da barra é bom, apesar da impressão inicial.
Primeiras impressões do envolvimento
A funcionalidade das caixas destacáveis é ímpar. Do pouco que testei até agora, o envolvimento é legal!, ter as surround perto de vc faz diferença e emitir o som para cima também. Num pedaço do filme Dose Dupla a sensação era de que alguns sons vinham de cima e à esquerda, era a reflexão no teto do sinal do falante da barra apontado para cima. Show. A posição que tenho colocado as surrounds para ver uns trechos de filmes pela TV é nas mesas laterais ao sofá ou sobre os braços do sofá, mas repito foram uns poucos trechos. As sessões de filme pra valer serão com o projetor, ainda não instalado. Em alguns filmes o áudio dessas caixas traseiras pareceu baixo, mesmo configurando o volume em “high”. Claro, depende do filme, mas também eu não estou seguindo a orientação do manual que recomenda o posicionamento das surround numa altura entre 1,00m e 1,40m do piso. Os braços do meu sofá estão a 60cm do piso e as mesas laterais a 50cm, portanto elas estão ficando longe da altura do ouvido da pessoa na posição sentada. Daí juntou a fome com a vontade de comer, pois para assistir pelo projetor (posição 2), o ideal seria que eu comprasse dois pedestais para as surround (daqueles fininhos) e eles só serão usados durante a sessões de filmes (que é um evento em alguns fins de semana aqui em casa). Então, mais testes ocorrerão mais para frente com esses pedestais, mas o que ouvi até agora, é legal.
Primeiras impressões dos canais frontais
O audio do canal central é tratado para ficar nítido e claro. Em filmes e TV fica excelente de se escutar. Os canais frontais esquerdo e direito não são muito capazes de criar largura no palco sonoro, mas em filmes eles são ajudados pelos canais da barra voltados para cima, o que em muitas midias compensa na formação desse palco.
Primeiras impressões em música
A barra é voltada principalmente para filmes. Em música, aquele tratamento dado ao canal central para deixá-lo nítido, imprime em música uma certa falta de naturalidade, deixando o som meio esquisito. Aqueles falantes na barra voltados para cima que ajudam no palco sonoro de filmes, em música parece que dá uma embolada. Em games eu penso que também ficará bom, mas não espere milagre em música em 5.1 ou mesmo em música 2.0. Digo, para música não se pode pretender comparar a barra com um sistema tradicional, principalmente se vc ouve mais alto. Para um som com volume até moderado a barra apresenta um áudio estéreo honesto, porém com palco sonoro pequeno. Fisicamente a barra tem aproximadamente 1,20m com as surround encaixadas. Minhas frontais estiveram nesses 20 anos distantes uma da outra 2,40m, assim minha referência anterior era diferente e, portanto, a comparação aparece. Além de fisicamente uma caixa com corpo de madeira e falantes maiores conseguirem movimentar muito mais ar do que falantes pequenos em corpo de plástico/metal, resultando em uma óbcia diferença. Que fique claro, diferenças aparecem principalmente quando vc tem uma referência anterior de qualidade. Aqui mais uma vez precisarei me adaptar.
Os áudios que estou escutando são em Dolby Digital +, ou seja, ainda não consegui testar o Dolby Atmos. A barra não exibe em seu display se esse audio é 5.1, 6.1, 7.1, etc., exibe apenas “Dolby Surround +”…ou “PCM”…ou ainda “Dolby Atmos”, que não testei. Eu nem comprei a barra pensando nele, mas é um plus bastante bem vindo essa barra ter a capacidade de codificá-lo e apresentá-lo. Porém minha TV não tem saída eARC, tão pouco a Mibox S consegue codificá-lo, assim por ora a coisa é DD mesmo.
Primeiras impressões sobre potência e volume
O volume geral vai de 0 a 32; o 32 é apresentado como “max” no display da barra. Para dar uma ideia, um áudio moderado fica em torno de 8-10, volume este que eu uso para ver TV (não filmes). Tarde da noite fica em 4 a 6. Para filmes, a barra começa a mostrar sua potência a partir do 15, sendo que em 20 já tá alto. Cheguei em algum momento em 26, mas para um apartamento esse volume está bem acima do razoável. O 32 então… Li relato de um cara que entendia que a barra deveria ter mais 5 pontos de volume. Doido. Bem, cada um tem seu parâmetro, mas a barra toca alto sem distorcer e o volume em torno de 18-20 já me atende perfeitamente, sobra até. Lembrando, a barra é feita para um Living Room e para esta aplicação, sobra potência e volume.
Conexões
Ela tem apenas uma entrada HDMI. Para quem tem várias fontes como eu, a saída é ligar uma fonte nessa única entrada HDMI na barra e as demais fontes vc liga nas entradas HDMI da TV. Então vc liga a TV na barra através do HDMI ARC (HDMI ARC out na barra - que é na verdade eARC e HDMI ARC in na TV…sendo que minha TV é só ARC não eARC). Outra opção é comprar um HDMI splitter, que foi o que eu fiz. Mas fiz isso pois preciso ter para cada uma das fontes, duas saídas de vídeo, uma para a TV outra pro projetor, então em breve chega o switcher/splitter 4 x 2 (quatro entradas, uma ficará vaga e duas saídas).
A barra já tem incorporada nela a função CEC, portanto habilitando essa mesma função na TV (e na minha TV se chama T-Link) a barra liga ao ligar a TV, desliga ao desligar a TV e aciona o ARC automaticamente ao ligar a TV, fazendo o som da TV sair só na barra. Mas aqui apareceu um problema que depois de muito pesquisar, vi que ocorre em muitos outros aparelhos de várias marcas. Muitas vezes vc liga a TV, a barra liga sozinha na sequência – por conta da função CEC, porém o áudio sai tanto na barra quanto na TV, simultaneamente, sendo que deveria sair só na barra. Às vezes, antes de descobrir o que acontecia, tinha que desligar e ligar novamente o conjunto, ou desabilitar o ARC na TV e habilitar novamente para ver se a barra captava o sinal e a TV entendia que o sinal deveria ir só para a barra. Na internet achei o relato de um cara que tinha este mesmo problema com uma TV Samsung + barra Samsung, outro que tinha uma TV Samsung + barra TCL, além de outros casos. Olha onde vai a coisa…esse cara fez contato com a área de engenharia da Samsung que sugeriu que ele desconectasse todas as entradas HDMI da barra (lembrando que na JBL só há 1 entrada HDMI, mas na Samsung são várias) e fosse testando até descobrir qual era a entrada que provocava esse problema. Ás vezes parece dar um bug na conexão TV-barra que faz com que a barra, que tem várias entradas HDMI nela (sendo uma delas o ARC) não reconheça plenamente esse canal de retorno de áudio, e a TV por sua vez envia também o áudio para seus próprios falantes, resultando em parte sair na barra e parte na TV. Segundo o engenheiro é uma falha no pino nº 13 do cabo HDMI de uma das fontes que provoca isso. Uma vez que vc identifica qual é a fonte, vc coloca um adaptador da marca Lindy que resolve o problema: https://www.lindy.co.uk/cables-adapters-c1/audio-video-c107/hdmi-cec-less-adapter-female-to-male-p7299
Os caras testaram e deu certo.
Mas no caso da barra JBL só há uma entrada HDMI onde eu conecto a MIBoxS, portanto testei simplesmente desconectando esse cabo HDMI da barra e nunca mais deu o problema. A barra sempre reconhece o ARC e reproduz o som da TV só nela e a TV não envia mais o áudio para seus próprios falantes. Agora preciso adquirir o tal adaptador; por hora estou desconectando a MIBox e só conecto quando for usar. Terrível, mas são coisas da tecnologia que não resolve tudo 100%.
Na barra ainda há uma entrada optica, uma USB só para atualização de firmware (não reproduz outros arquivos) e uma entrada Ethernet.
Conclusões iniciais
Para filmes a barra é capaz de substituir seu HT clássico com muita qualidade. Muito bom volume/potência, bom envolvimento, sub perfeitamente integrado e contido com o volume geral médio/baixo (com volume geral alto, o sub põe a sala para tremer), canal central nítido e claro. Tudo isso faz o áudio encher sua sala com louvor e, veja, com uma barra, não com montes de caixa.
Para uso com áudio da TV (programas de TV, noticiário, esportes, novela, outros programas que não filmes) supera de longe o que sai dos falantes da TV e dá nova vida a ela.
Para música deixa a desejar (mas, se comparada a um bom sistema). Se não comparada envia apenas um som honesto, sem grandes exaltações, mas honesto. Funciona bem se vc escuta áudio em volumes moderados e baixos. Para rock alto, esquece, melhor colocar seu fone de ouvido e aumentar o volume.
Lembrando que é uma soundbar, equipamento de dimensão pequena, facílima configuração e instalação, pede pouco espaço, sem grandes possibilidades de ajuste, mas que atendem muito bem ao propósito. Muito flexível e enxuto pelas conexões wireless do sub e caixas traseiras.
Para o meu objetivo de tentativa de simplificação informado lá no início, foi golaço.?