[QUOTE username=Wandique userid=7347621 postid=1321719116]Já que este tópico é para perguntas sobre amplificadores vamos lá.
Sabemos que o equipamento é um “sistema” por excelência, o resultado sonoro é resultado
da "interação"entre os componentes e não a “soma” dos componentes, juntar "bons"componentes
não implica sempre em um bom resultado, já vi e ouvi isso muitas vezes, especialmente em
lojas onde os sistemas são montados com os produtos que a loja vende (obviamente).
Isso posto vem a(s) perrguntas(s):
- SE através da sensitividade de uma caixa acústica sabemos que é possível obter, por exemplo,
90dB a um metro do alto-falante, com 1 Watt, porque os ampificadores precisam ter 110, 220,
660Watts de potência? Em outro tópico aqui do forum conversamos um pouco sobre isso mas
ainda não está claro para mim. Talvez eu não tenha entendido a medida da sensitividade pois
o que entendi é o que escrevi acima, com 1Watt vindo do amplificador eu posso produzir 90dB
de "pressão sonora"à 1 metro de distância do falante. Alguém poderia dizer que a cada metro
a coisa cai pela metade e a 3 metros de distância esses 90dB seriam bem menos (entendo que
é uma progressão logarítimica) MAS mesmo assim em tese, não seria necessário um amplificador
com mais de, digamos 30Watts de potência (que já usei e nao vi nem ouvi problema algum
com ele). Mais uma vez os técnicos de plantão diriam "ah mas tem os transientes que pode chegar
a picos bem maiores que um amplificador de 30 ou menos Watts pode acomodar". Em não tendo
essa potência reservada aos transientes imagino que aquilo que não é acomodado, passa a ser
distorção, correto? E se é assim, PORQUE existem e são utilizados amplificadores de até 2Watts
de potência com “bons” resultados? Lembro muito bem que no início dos anos 70 os amplificadores
não passavam do 30Watts.
- Quando eu ouço o meu sistema, uso um amplificador de 60Watts, aparentemente a qualidade
do som melhora na medida em que aumento o volume. Porque isso acontece? Posso imaginar duas
coisas, ou o meu pré-amplificador não é adequado (ou é ruim mesmo) ou o fato do pré-amplificador
atenuar o sinal, isso "limita"de alguma forma a performance do amplificador. O que acontece?[/QUOTE]
@Wandique
Acho que já respondi essas perguntas, mas vamos lá novamente:
Todo amplificador tem uma faixa ótima de potência de trabalho, faixa essa em que ele tem menos distorção, melhor resposta de frequência e melhor fidelidade (que nem sempre pode ser traduzida em números/medições). O mesmo se aplica às caixas acústicas. Cada uma tem uma faixa ótima de trabalho e isso normalmente é informado nas especificações técnicas (dos fabricantes sérios).
Com relação à sensibilidade das caixas, elas são uma medida feita em uma determinada frequência (e nem sempre corresponde à realidade!). Assim como a informação de impedância nominal, são medições ou informações técnicas que não espelham com fidelidade o desempenho das caixas. A impedância , por exemplo, varia ao longo de toda a faixa de frequência audível e há pontos em que a impedância atinge pontos críticos (resistência real baixa conjugada com reatância ou indutância alta) em que o amplificador é muito exigido e necessita de drenar uma alta quantidade de corrente para poder manter as caixas sobre controle a uma potência constante, mesmo que abaixo da sua máxima. Uma analogia é um carro percorrendo um circuito. Qual carro consegue se manter em velocidade constante de 80km/h em um circuito com curvas de todos os tipos e subidas e descidas de todos os tipos? Um carro de 60HP de potência ou um de 300HP? Acrescente à isso, a variável do peso do carro, da suspensão/estabilidade do carro. Um carro de 60HP de potência, consegue manter um carro a 80km/h tranquilamente numa reta plana, mas e se tiver uma subida? e se tiver uma curva fechada?
Um amplificador de 2W/canal vai bem quando você usa uma caixa com altíssima sensibilidade 96dB/W/m ou mais. Funciona com uma caixa de 85dB/W/m? Funciona. Mas não é o ideal.
Há outros fatores que influenciam no casamento do amplificador com as caixas acústicas. Por exemplo, uma especificação dos amplificadores são as suas impedâncias de saída (fator de dumping = impedância da caixa/impedância de saída do amplificador). Isto é uma medida de controle do amplificador sobre a caixa, isto é, quanto maior o fator de dumping, menor a influência da variação de impedância da caixa sobre o desempenho do amplificador. A maioria dos amplificadores possuem realimentação negativa, isso significa que se ele usa muita realimentação, ele é bastante influenciado pela carga que ele enxerga, incluindo aí, inclusive, a capacitância dos cabos de caixas.
Resumindo, a potência máxima não é determinante da qualidade do amplificador, mas um amplificador capaz de fornecer muito mais potência do que uma caixa exige, ou que o ouvinte exige, provavelmente será capaz de trabalhar com folga com uma gama grande de caixas acústicas em potências médias/baixas. Nenhuma relação com a qualidade/fidelidade!
Edmar